Cada padrão comum tem nesta página uma descrição por palavras, para que o consiga reconhecer sem uma imagem. A página diz depois o que se entende que cada um significa e o que a investigação diz sobre se esse significado se confirma. Em resumo, os padrões descrevem o que os compradores e os vendedores acabaram de fazer. As provas de que preveem o que vem a seguir são mistas para alguns padrões e inexistentes para a maioria.
Pontos essenciais
- Uma vela mostra a abertura, o máximo, o mínimo e o fecho de um único período. Cada padrão de velas refere-se apenas a esses quatro preços e a mais nenhum.
- Os padrões de inversão, como o martelo, a vela de engolfo e a cabeça e ombros, só querem dizer alguma coisa depois de um movimento claro. Num mercado lateral, as mesmas formas aparecem a toda a hora e não querem dizer nada.
- Os padrões de continuação, como as bandeiras, as flâmulas e os triângulos, marcam uma pausa num movimento. Os traders agem quando o preço sai da pausa, mas muitas ruturas invertem-se depois.
- Segundo a investigação académica, alguns padrões gráficos contêm de facto alguma informação. Mas nenhum estudo dessa investigação mostra que um trader de retalho fique com lucro depois dos custos.
- Não existe uma taxa de falha fiável para nenhum padrão. As percentagens citadas em sites de trading dependem de como o autor definiu o padrão, do mercado e dos anos testados.
- Um padrão pode ajudá-lo a ver onde a sua ideia deixa de se aguentar e onde pôr um stop. Não consegue prever as notícias de amanhã.
O que mostra uma vela?
Uma vela mostra os preços de abertura, máximo, mínimo e fecho de um período de negociação. O período é aquele que o seu gráfico tiver definido, por isso uma vela pode cobrir um minuto, uma hora ou um dia. A parte grossa é o corpo, e vai da abertura ao fecho. As linhas finas por cima e por baixo do corpo são os pavios, também chamados sombras, e chegam ao máximo e ao mínimo.
A cor mostra o sentido. Uma vela que fechou acima da abertura costuma ser desenhada a verde ou vazia, e os traders chamam-lhe de alta. Uma vela que fechou abaixo da abertura é vermelha ou cheia, e os traders chamam-lhe de baixa. Um corpo longo quer dizer que o preço andou muito num sentido e ficou lá. Um pavio longo quer dizer que o preço chegou a um nível mas foi empurrado de volta antes de o período acabar.
Os traders chamam price action a ler um gráfico só a partir das velas e dos níveis, sem indicadores por cima. Muita gente acrescenta cálculos a isso, e a página sobre indicadores técnicos explica-os.
Os principais padrões de velas
Os padrões de velas usam uma, duas ou três velas. Os padrões de inversão só contam depois de uma subida ou descida clara, porque tem de haver um movimento para inverter.
| Padrão | Como é | O que se entende que significa |
|---|---|---|
| Doji | Uma vela cuja abertura e fecho estão quase ao mesmo preço, por isso o corpo é uma linha fina com pavios por cima e por baixo | Nem os compradores nem os vendedores ganharam o período. Sozinho, diz pouco |
| Martelo | Uma vela depois de uma descida, com um corpo pequeno em cima e um pavio inferior pelo menos duas vezes maior do que o corpo. Pouco ou nenhum pavio superior | Os vendedores empurraram o preço para baixo e os compradores trouxeram-no todo de volta. Lido como possível viragem para cima |
| Estrela cadente | O martelo virado ao contrário, depois de uma subida: um corpo pequeno em baixo e um pavio superior longo | Os compradores empurraram o preço para cima e perderam o ganho antes do fecho. Lido como possível viragem para baixo |
| Engolfo de alta | Duas velas depois de uma descida. Uma pequena vela de descida, e depois uma vela de subida cujo corpo cobre todo o corpo da primeira | Os compradores recuperaram mais do que a perda do período anterior. Lido como possível viragem para cima |
| Engolfo de baixa | Duas velas depois de uma subida. Uma pequena vela de subida, e depois uma vela de descida cujo corpo cobre todo o corpo da primeira | Os vendedores apagaram o ganho do período anterior e mais ainda. Lido como possível viragem para baixo |
| Estrela da manhã | Três velas depois de uma descida. Uma vela de descida longa, uma vela de corpo pequeno abaixo dela, e depois uma vela de subida longa que fecha acima do meio da primeira | As vendas abrandaram, pararam e deram lugar às compras. Lido como viragem para cima |
| Estrela da tarde | Três velas depois de uma subida. Uma vela de subida longa, uma vela de corpo pequeno acima dela, e depois uma vela de descida longa que fecha abaixo do meio da primeira | As compras abrandaram, pararam e deram lugar às vendas. Lido como viragem para baixo |
A forma de uma vela pode ter um nome num sítio e outro nome noutro. Quando um martelo aparece no topo de uma subida, chama-se enforcado (hanging man) e o sinal inverte-se. Só isso mostra quanto do significado vem do movimento anterior à vela e quão pouco vem da própria vela.
Os principais padrões gráficos
Os padrões gráficos são formas compostas por muitas velas, que num gráfico diário levam muitas vezes semanas a formar-se. A maioria usa duas linhas, e os traders só agem depois de o preço fechar para lá de uma dessas linhas.
Cabeça e ombros
Um padrão cabeça e ombros forma-se depois de uma subida e mostra três picos seguidos. O pico do meio (a cabeça) é mais alto do que os dois de cada lado (os ombros). A linha de pescoço liga os dois recuos entre esses picos. Os traders tratam um fecho abaixo da linha de pescoço como o sinal de que a subida acabou. Depois de uma descida, o padrão oposto, três vales com o do meio mais baixo, chama-se cabeça e ombros invertida e lê-se como uma viragem para cima.
Topo duplo e fundo duplo
Um topo duplo são dois picos mais ou menos ao mesmo preço com um recuo entre eles, por isso parece a letra M. O preço chegou duas vezes a um nível de resistência e falhou nas duas tentativas. Os traders dão o padrão por completo quando o preço fecha abaixo do mínimo do recuo. Um fundo duplo é a mesma coisa ao contrário. Parece um W, forma-se num nível de suporte e fica completo quando o preço fecha acima do pico do meio.
Triângulos ascendentes, descendentes e simétricos
Um triângulo é um intervalo de preços que vai estreitando até as suas duas linhas de limite se encontrarem. Num triângulo ascendente, o topo fica plano enquanto os mínimos sobem, e os traders leem-no como compradores a pressionar um nível de resistência. Um triângulo descendente tem a base plana e máximos a descer, e lê-se ao contrário. Um triângulo simétrico mostra ao mesmo tempo máximos a descer e mínimos a subir, e não dá nenhuma pista sobre o sentido até o preço sair dele.
Padrão de bandeira e padrão de flâmula
Depois de um movimento forte, a que os traders chamam o mastro, um padrão de bandeira é uma pausa curta. A pausa desliza entre duas linhas paralelas com uma inclinação suave contra o movimento. Numa bandeira de alta as linhas inclinam para baixo, e numa bandeira de baixa inclinam para cima. Um padrão de flâmula é a mesma pausa, mas entre duas linhas que se juntam, como um triângulo simétrico muito pequeno. Os dois padrões leem-se como um descanso antes de o primeiro movimento continuar.
Cunha ascendente e cunha descendente
Uma cunha forma-se entre duas linhas inclinadas que se movem no mesmo sentido e se vão juntando. Numa cunha ascendente, as duas linhas apontam para cima e a de baixo é mais inclinada do que a de cima, por isso cada pico de preço ganha menos do que o anterior. Os traders veem uma cunha ascendente como sinal de que a subida está a perder força. Uma cunha descendente aponta para baixo, com a linha de cima mais inclinada, e lê-se como uma descida a perder força.
Um exemplo: como os traders medem uma cabeça e ombros
Valores ilustrativos: um exemplo inventado, não uma previsão nem uma cotação.
Para medir uma cabeça e ombros, os traders tomam a altura da cabeça acima da linha de pescoço e projetam essa distância para baixo a partir da quebra. Veja um exemplo com números inventados. Um par de moedas sobe até 1,2100 e depois recua para 1,2000. Sobe até 1,2200, recua outra vez para 1,2000 e depois só chega a 1,2100 antes de cair. A linha de pescoço está em 1,2000 e a cabeça fica 200 pips acima dela. Na maioria das cotações de moedas, um pip é a quarta casa decimal.
Segundo o manual, o objetivo fica 200 pips abaixo da linha de pescoço, em 1,1800. Um trader que vende num fecho a 1,1990 pode pôr um stop-loss acima do ombro direito, em 1,2110. É um risco de 120 pips para uns 190 que espera ganhar. O objetivo é uma convenção de desenho. Nada obriga o preço a chegar lá. Se, em vez disso, o preço voltar a subir acima da linha de pescoço, o padrão falhou e o stop fecha a operação com perda. A nossa página sobre gestão do risco mostra como a distância do stop define a dimensão da operação.
O que dizem as provas sobre a fiabilidade dos padrões
A maioria dos guias de trading sugere que pode confiar nos padrões gráficos mais do que as provas permitem. O teste académico mais conhecido usou um computador para procurar dez padrões, incluindo a cabeça e ombros e o fundo duplo, em ações americanas de 1962 a 1996. Concluiu que vários dos padrões «fornecem de facto informação adicional e podem ter algum valor prático» (Lo, Mamaysky e Wang, 2000). Isso quer dizer que as rendibilidades depois de um padrão pareciam estatisticamente diferentes das rendibilidades em geral, mas não quer dizer que um trader pudesse ter ganho dinheiro com eles depois dos custos.
Um teste da cabeça e ombros em taxas de câmbio diárias de 1973 a 1994 concluiu que negociá-la dava lucro, mas que regras muito mais simples davam mais (Chang e Osler, 1999). Os níveis de suporte e resistência publicados por seis empresas do mercado cambial foram objeto de um estudo que encontrou «provas fortes de que os níveis ajudam a prever interrupções de tendência ao longo do dia». Os resultados variavam entre empresas e entre pares de moedas (Osler, 2000).
De 95 estudos modernos sobre regras de negociação técnica, uma revisão contou 56 com resultados positivos, 20 com negativos e 19 mistos. Os autores avisaram que muitos resultados positivos sofrem de data snooping (Park e Irwin, 2007). Data snooping é testar muitas regras sobre os mesmos dados e publicar as vencedoras. É a mesma armadilha do sobreajustamento num backtest.
Não há provas independentes, revistas por pares, de que algum padrão de velas preveja os preços. Nada nestes estudos abrange uma conta de CFD de retalho com o seu spread e o seu financiamento. Toda esta investigação usa também dados com décadas.
Porque falham os padrões gráficos
Os padrões gráficos falham por razões que pouco têm a ver com o cuidado com que os desenha.
- Só sabe que um padrão está completo em retrospetiva. Até o preço quebrar a linha, uma cabeça e ombros são só três altos, e muitos conjuntos de três altos nunca quebram.
- Dois traders desenham o mesmo gráfico de maneira diferente. O sítio da linha de pescoço ou da linha de tendência é uma questão de juízo. Os testes por computador acima só funcionaram porque substituíram esse juízo por regras fixas.
- As ruturas invertem-se muitas vezes. O preço passa a linha, dispara as ordens que lá estavam à espera e depois volta atrás. A nossa página sobre estratégias de negociação explica porque é que as regras de rutura perdem em mercados laterais.
- Os intervalos de tempo curtos são quase só ruído. Num gráfico de cinco minutos vê dezenas de martelos e dojis por dia, e o spread ocupa uma parte maior de cada pequeno movimento de preço.
- As notícias ignoram o gráfico. Uma decisão sobre as taxas de juro leva o preço através de qualquer padrão. Uma apresentação de resultados também. O calendário económico diz-lhe quando estão previstas.
Advertência de risco
Um padrão é uma descrição, e o seu dinheiro continua em risco
Um padrão descreve o que o preço já fez. A sua margem, o depósito que o intermediário retém enquanto uma operação está aberta, está em risco naquilo que o preço fizer a seguir. Com alavancagem, uma operação é muito maior do que o seu depósito, e um padrão que falha custa-lhe o movimento inteiro sobre a dimensão inteira da operação. Os reguladores nacionais concluíram que entre 74 % e 89 % das contas de CFD de retalho perderam dinheiro, conclusões que a ESMA divulgou (comunicado de imprensa da ESMA). Essas contas tinham os mesmos gráficos de velas e as mesmas ferramentas de desenho que toda a gente. Se quiser ver com que frequência um padrão funciona consigo, uma conta de demonstração e um registo escrito de cada operação não custam nada.
Perguntas frequentes sobre padrões de velas e padrões gráficos
Os padrões de velas e os padrões gráficos levantam nas pesquisas sempre o mesmo pequeno conjunto de perguntas. Cada resposta abaixo é independente.
O que são padrões de velas?
Os padrões de velas são formas com nome feitas por uma a três velas num gráfico de preços. Exemplos são o doji, o martelo e o padrão de engolfo. Cada vela mostra a abertura, o máximo, o mínimo e o fecho de um período. Os traders leem as formas como sinais de que os compradores ou os vendedores estão a ganhar o controlo. A investigação não mostrou que as formas prevejam os preços o suficiente para cobrir os custos de negociar.
O que é um padrão de engolfo de alta?
Um padrão de engolfo de alta forma-se depois de uma descida, com duas velas: uma pequena vela de descida e depois uma vela de subida cujo corpo cobre por completo o corpo da primeira. Os traders veem nisto um sinal de que os compradores tomaram o controlo e de que a descida pode estar a acabar. Um padrão de engolfo de baixa é o contrário e aparece depois de uma subida. Nenhum dos dois padrões, sozinho, é um sinal fiável.
O que é um padrão cabeça e ombros?
Um padrão cabeça e ombros aparece depois de uma subida e tem três picos, sendo o do meio o mais alto. A linha de pescoço liga os dois recuos entre esses picos. Os traders leem um fecho abaixo da linha de pescoço como sinal de que a subida terminou. Um teste académico em taxas de câmbio concluiu que o padrão dava lucro, mas que se saía pior do que regras mais simples (Chang e Osler, 1999).
Qual é a diferença entre um padrão de bandeira e um padrão de flâmula?
Um padrão de bandeira e um padrão de flâmula são ambos pausas curtas depois de um movimento forte. A pausa da bandeira fica entre duas linhas paralelas inclinadas contra o movimento. As duas linhas da flâmula juntam-se num pequeno triângulo. Os traders leem os dois como um descanso antes de o movimento continuar, e os dois podem quebrar para o outro lado.
Até que ponto são fiáveis os padrões gráficos?
Os padrões gráficos não têm uma taxa de sucesso estabelecida. Em dados antigos de ações e de moedas, os testes académicos concluíram que alguns padrões contêm um pouco de informação (Lo, Mamaysky e Wang, 2000). Os estudos citados aqui não mostram um trader de retalho a lucrar com eles depois dos custos. As percentagens citadas em sites de trading dependem das definições e do período de teste do próprio autor.
Fontes
Os documentos originais que esta página cita, pela ordem em que aparecem pela primeira vez.
- Foundations of Technical Analysis: Computational Algorithms, Statistical Inference, and Empirical Implementation (NBER Working Paper 7613), National Bureau of Economic Research, 2000-03-01
- Methodical Madness: Technical Analysis and the Irrationality of Exchange-Rate Forecasts (Economic Journal, vol. 109), Royal Economic Society, 1999-10-01
- Support for Resistance: Technical Analysis and Intraday Exchange Rates (Economic Policy Review, vol. 6, no. 2), Federal Reserve Bank of New York, 2000-07-01
- What Do We Know About The Profitability Of Technical Analysis?, Journal of Economic Surveys (via IDEAS/RePEc), 2007-09-01
- European Securities and Markets Authority, ESMA
- ESMA agrees to prohibit binary options and restrict CFDs to protect retail investors, ESMA, 2018-03-27
