Pontos essenciais
- Um CFD acompanha o preço de um ativo, mas o ativo nunca passa a ser seu. O seu contrato é com o intermediário, não com uma bolsa.
- O intermediário retém um depósito de margem que entrega, e esse depósito cobre só uma parte do valor da operação. Mesmo assim, o lucro ou a perda é calculado sobre o tamanho total da operação, e não sobre esse depósito.
- Quer o preço se mexa quer não, custos como o spread, a comissão e o financiamento overnight vão-se acumulando. É por isso que o tempo durante o qual mantém uma operação pesa mais do que a maioria dos traders imagina.
- A partir de uma só conta pode negociar ações, índices, moedas, matérias-primas e criptomoedas. É por isso que muita gente recorre aos CFD para chegar a mercados que de outro modo exigiriam várias contas separadas.
Como funciona o contrato
Um contrato por diferença é um derivado, ou seja, um contrato cujo valor vem do preço de outra coisa. Essa outra coisa chama-se subjacente e pode ser uma ação, um índice bolsista, um par de moedas, uma matéria-prima ou uma criptomoeda. As duas partes do contrato são o cliente e o intermediário de CFD.
Quando fecha o contrato, o cliente e o intermediário multiplicam o tamanho da sua operação pela variação entre o preço de abertura e o preço de fecho. Se o preço se moveu a seu favor, o intermediário paga-lhe esse valor. Se se moveu contra si, paga ao intermediário. Em momento algum alguém entrega ações, barris ou moedas.
O contrato é liquidado em dinheiro e não é negociado em bolsa. A maioria dos CFD não tem prazo nem data de vencimento e fica aberta até a fechar ou até o intermediário a fechar nos termos da sua conta. Por cada dia em que o contrato fica aberto, o intermediário cobra-lhe financiamento overnight, ou às vezes paga-lho. Esse encargo diário é a razão pela qual os CFD são feitos para períodos curtos e servem mal o investimento de longo prazo.
Diz-se que os CFD são alavancados porque o intermediário só precisa de uma parte do valor total da operação como margem. Pode abrir uma operação de dez mil dólares com algumas centenas de dólares do seu próprio dinheiro. Mesmo assim, o lucro ou a perda continua a ser calculado sobre os dez mil dólares por inteiro.
Características principais
As características principais de um CFD cabem em quatro linhas curtas.
- Negociar movimentos de preçoNegoceie preços a subir ou a descer.
- Sem necessidade de propriedadeO ativo subjacente não passa a ser seu.
- Muitos mercadosNegoceie forex, índices, matérias-primas, ações e mais a partir de uma só conta.
- Usar alavancagemControle uma operação maior com um depósito menor.
As quatro partes de uma operação com CFD
Uma operação com CFD tem quatro partes: uma direção, um tamanho, a margem que o intermediário retém como garantia e os preços a que a abre e a fecha. O intermediário fixa ou cota cada parte, e a sua plataforma mostra a direção, o tamanho, a margem e os preços enquanto a operação está aberta.
Direção: longa ou curta
A direção de uma operação com CFD é longa quando acha que o preço vai subir e curta quando acha que vai descer. Abre uma operação longa ao preço ask do intermediário. O ask é o mais alto dos dois preços do intermediário. Fecha-a ao bid, o mais baixo. Uma operação curta funciona ao contrário: abre ao bid e fecha ao ask. Ficar curto num CFD não obriga a pedir o ativo emprestado, e essa é uma das razões pelas quais se usam CFD para negociar preços em queda. Mesmo assim, os CFD sobre ações podem ter um encargo de empréstimo nas operações curtas (CFD sobre ações e cripto).
Tamanho e valor nocional
O tamanho de uma operação com CFD mede-se em unidades do subjacente: ações, pontos de índice, lotes de moeda, barris ou onças (pips e lotes). Obtém o valor nocional multiplicando esse tamanho pelo preço atual, por isso é igual ao valor total daquilo que negoceia. O lucro e a perda são calculados sobre o valor nocional, e não sobre a margem que entregou. As plataformas mostram normalmente este valor como a exposição da operação. Uma variação percentual do preço aplica-se à exposição, não à sua margem.
Margem retida como garantia da operação
A margem retida numa operação com CFD é o depósito que o intermediário lhe pede para abrir a operação e a manter aberta. É uma percentagem do valor nocional, e a percentagem exata varia com aquilo que negoceia. Se a empresa que abre a sua conta for regulada na UE, aplicam-se as regras de retalho da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). Essas regras fixam a margem inicial entre 3,33 % nos principais pares de moedas e 50 % nas criptomoedas (Decisão (UE) 2018/796 da ESMA). Uma empresa global do mesmo grupo fixa a sua própria margem. A tabela completa está na página sobre alavancagem e margem. A margem não é um custo. Fica na sua conta e volta para si quando a operação fecha, descontada qualquer perda.
O preço que obtém: bid, ask e spread
Quando negoceia um CFD, o preço que obtém é a cotação do próprio intermediário, sempre em dois preços. O bid é o preço a que o intermediário lhe compra, e o ask é o preço a que lhe vende. O spread é a diferença entre os dois, e é o primeiro custo de qualquer operação. Se abrir uma operação ao ask e a fechar logo a seguir ao bid, perde o spread. As cotações baseiam-se no mercado subjacente, mas não são o próprio mercado. O intermediário pode alargar o spread perto de notícias, na abertura do mercado ou durante a noite.
Um exemplo com números: 100 CFD sobre uma ação a 50
Valores ilustrativos: um exemplo inventado, não uma previsão nem uma cotação.
Um exemplo com números mostra como os valores de uma operação com CFD se ligam entre si. Os preços e os tamanhos são inventados. Imagine que compra 100 CFD sobre uma ação cotada a 50,00 bid e 50,05 ask. A taxa de margem é de 20 %. É a taxa de retalho para ações individuais numa empresa regulada na UE (Decisão (UE) 2018/796 da ESMA). Fecha a operação depois de o preço se mover 5 %, para cima ou para baixo.
| O preço sobe 5 % | O preço desce 5 % | |
|---|---|---|
| Preço de abertura (ask) | 50,05 | 50,05 |
| Valor nocional na abertura | 5 005 | 5 005 |
| Margem retida (20 %) | 1 001 | 1 001 |
| Preço de fecho (bid) | 52,50 | 47,50 |
| Lucro ou perda em 100 unidades | +245 | −255 |
| Rendibilidade sobre a margem | +24,5 % | −25,5 % |
Uma variação de 5 % no preço da ação fez variar a sua margem em cerca de um quarto, para cima ou para baixo. É a alavancagem a funcionar. O spread desequilibrou o resultado: ganhou 245 quando o preço subiu e perdeu 255 quando desceu. Numa empresa regulada na UE, os principais pares de moedas só exigem 3,33 % de margem (Decisão (UE) 2018/796 da ESMA). Com as mesmas contas, um movimento de 1 % faz oscilar a sua margem em cerca de 30 %.
O que um CFD não lhe dá
Um CFD dá-lhe exposição a um preço e mais nada, por isso faltam-lhe quatro coisas que teria se fosse dono do ativo.
- Nenhuma propriedade. Um CFD sobre uma ação não lhe dá ações, nem direitos de voto, nem o direito de ir às assembleias da empresa. Quando a empresa paga um dividendo, o seu intermediário faz um ajustamento em dinheiro na sua conta em vez do dividendo.
- Nenhuma bolsa. O contrato é fora de bolsa, feito diretamente entre si e o intermediário. O intermediário é a sua contraparte e fixa a cotação, e as condições são as dele, não o regulamento de uma bolsa.
- Nenhuma entrega. Um CFD sobre uma matéria-prima nunca lhe entrega barris ou onças, e um CFD sobre moedas nunca troca uma moeda por outra. Todos os contratos se liquidam em dinheiro, pela diferença.
- Nenhum vencimento, mas manter a operação não é grátis. A maioria dos CFD não tem data de vencimento, mas uma operação aberta continua a custar-lhe dinheiro através do encargo diário de financiamento. Ter uma ação ou um ativo físico não implica esse custo corrente.
Os CFD são feitos para exposição ao preço no curto prazo, por isso a falta de propriedade não é um defeito em si. Os problemas surgem quando alguém trata um CFD como se fosse um investimento com o qual não se parece.
Os CFD comparados com ações, futuros e opções
Comparar um CFD com uma ação, um contrato de futuros e uma opção mostra as diferenças entre eles. Um futuro é um acordo para comprar ou vender a um preço fixo numa data fixa, e negoceia-se em bolsa. Com uma opção, tem o direito de comprar ou vender, mas não a obrigação. Muita gente confunde CFD, ações, contratos de futuros e opções, mas diferem na propriedade, no sítio onde se negoceiam, no vencimento e na forma como funciona a alavancagem.
| CFD | Ação | Futuro negociado em bolsa | Opção negociada em bolsa | |
|---|---|---|---|---|
| Propriedade do ativo | Nenhuma | Sim | Nenhuma | Nenhuma (um direito, não o ativo) |
| Onde se negoceia | Fora de bolsa, com o intermediário | Bolsa | Bolsa | Bolsa |
| Contraparte | O intermediário | O mercado, através de uma corretora | A câmara de compensação | A câmara de compensação |
| Vencimento | Normalmente nenhum | Nenhum | Data fixa | Data fixa |
| Alavancagem | Incorporada através da margem | Nenhuma, salvo com crédito | Incorporada através da margem | Incorporada através do prémio |
| Custo de manutenção | Financiamento diário | Nenhum | Incluído no preço do contrato | Perda de valor do prémio com o tempo |
| Limites de alavancagem de retalho (empresas da UE, do Reino Unido e da Austrália) | Sim | Não aplicável | Fixados pelas margens da bolsa | Não aplicável |
Utilizações legítimas de um CFD
Os CFD têm utilizações legítimas, e uma descrição justa do produto tem de as incluir. A mais clara é a cobertura, que consiste em proteger algo que já tem. Imagine que tem ações e espera um curto período de fraqueza. Em vez de vender as ações, anula a sua exposição com um CFD curto do mesmo tamanho. Quando a preocupação passar, fecha o CFD.
Os CFD permitem-lhe negociar um preço em queda, algo que a maioria dos investidores de retalho tem dificuldade em fazer por outros meios. Os CFD também lhe dão acesso, em tamanhos pequenos, a mercados como os índices bolsistas e as matérias-primas. Sem CFD, negociar esses mercados exigiria normalmente abrir uma conta de futuros e comprometer-se com um contrato mínimo muito maior.
As três utilizações de um CFD têm um objetivo claro e um período de detenção definido. Um CFD não serve para especular sem prazo e sem plano de saída, e no entanto é assim que o contrato é anunciado com mais frequência. A página sobre estratégias de negociação explica porque é que os custos do contrato decidem que abordagens podem sequer funcionar.
Risco de gap e risco de correlação
Os números da alavancagem, por si sós, escondem dois perigos de um CFD: o risco de gap e o risco de correlação. Um gap é um salto no preço sem negociação pelo meio, muitas vezes quando um mercado abre depois de uma notícia. O seu stop-loss é a ordem que deve fechar a operação a um preço definido. Se essa ordem ficar dentro do gap, é executada ao primeiro preço disponível do outro lado, que pode estar bem para lá do nível que escolheu (ordens stop-loss). As perdas são calculadas sobre o valor nocional, por isso um gap de alguns por cento pode levar grande parte da sua margem antes de qualquer ordem poder atuar.
O risco de correlação é a possibilidade de várias operações que parecem separadas se moverem todas juntas. Suponha que os mercados caem enquanto tem CFD longos sobre dois índices bolsistas, uma moeda ligada às matérias-primas e o petróleo: essas quatro operações comportam-se quase como uma só operação repetida quatro vezes. A regra de encerramento por margem fecha as suas operações quando a conta fica demasiado baixa, e olha para a conta inteira de uma vez.
A página sobre gestão do risco explica como pode tratar os dois riscos com o tamanho das operações e com limites para a conta inteira. A advertência de risco enumera todos os tipos de risco que o produto comporta.
Perguntas frequentes sobre contratos por diferença
As perguntas frequentes sobre contratos por diferença tratam do significado do nome, da propriedade, de quanto pode perder e da razão pela qual os reguladores tratam os CFD de forma diferente das ações.
O que significa CFD?
CFD significa contrato por diferença, da sigla inglesa contract for difference. Você e um intermediário combinam liquidar em dinheiro aquilo que o preço do ativo ganhou ou perdeu entre o momento em que abre a operação e o momento em que a fecha. Em português escreve-se normalmente os CFD no plural, e o ativo que o contrato acompanha nunca passa a ser seu.
O que é negociar CFD?
Negociar CFD é abrir e fechar contratos por diferença para ganhar ou perder com uma variação de preço, para cima ou para baixo, sem ser dono do ativo. Entrega margem, paga o spread e cobre o eventual financiamento overnight. O seu lucro ou a sua perda é calculado sobre o tamanho total da operação. A página sobre como funciona a negociação de CFD acompanha uma operação desde a cotação até ao extrato, e a página sobre como começar a negociar enumera os passos antes da primeira operação.
Pode perder mais do que depositou num CFD?
Um CFD pode perder mais do que a margem retida para uma única operação. As perdas são calculadas sobre o valor nocional total, e um gap no preço pode saltar diretamente por cima do seu stop-loss. A maioria dos traders individuais são clientes de retalho, a categoria por defeito e a que tem mais proteção. Numa empresa regulada na UE ou no Reino Unido, a proteção contra saldo negativo limita a perda total de um cliente de retalho ao dinheiro que está na conta (Decisão (UE) 2018/796 da ESMA, FCA PS19/18). Um cliente profissional pode ficar a dever mais do que o saldo, e o cliente de um intermediário fora dessas regras também.
Porque é que os CFD são regulados de forma diferente das ações?
Os CFD são regulados de forma diferente das ações porque juntam alavancagem, um intermediário do outro lado de cada operação e vendas dirigidas a clientes de retalho comuns. Os reguladores concluíram que esta mistura levava a perdas constantes para a maioria dos clientes. Os limites de alavancagem que se seguiram na UE, no Reino Unido e na Austrália estão na página sobre alavancagem máxima. A página sobre escolher um intermediário explica como confirmar se a empresa que abre a sua conta tem de os cumprir. Para separar o risco de perder dinheiro do risco de fraude, leia a página negociar forex e CFD é seguro?.
Fontes
Os documentos originais que esta página cita, pela ordem em que aparecem pela primeira vez.
- European Securities and Markets Authority, ESMA
- ESMA Decision (EU) 2018/796 of 22 May 2018 to temporarily restrict contracts for differences in the Union, Official Journal of the European Union (EUR-Lex), 2018-05-22
- Financial Conduct Authority, FCA
- PS19/18: Restricting contract for difference products sold to retail clients, FCA, 2019-07-01
